COMO PODE ALGUÉM QUE ME MAGOA, SER UM MESTRE PARA MIM?

Na verdade somos todos mestres uns dos outros, isto é, aprendemos permanentemente uns com os outros.
Nem sempre os outros têm consciência que estão a ajudar-nos no nosso aprendizado e vice-versa.
Muitas vezes, as outras pessoas dizem-nos palavras e fazem coisas, com o intuito expresso de nos magoar, e não têm obviamente a mínima consciência de que nos poderão estar a ajudar.
No entanto, e uma vez que nada acontece por acaso, e somos espelhos uns dos outros, quando atraímos alguém que nos magoa, significa que essa pessoa tocou-nos naquilo que vulgarmente chamamos de "ponto fraco".
Isto é: aquilo que o outro diz sobre nós com intuito prejurativo não é necessariamente verdade, mas corresponde à nossa crença sobre nós próprios.
Por exemplo: quando temos uma grande ferida de rejeição, atraímos recorrentemente pessoas e situações que nos fazem tocar - sentir - essa ferida, apenas para percepcionarmos as nossas feridas emocionais, das quais nos necessitamos libertar, com um intuíto evolutivo.
Quando percebermos isso - percebermos que não atraímos ninguém na nossa vida por acaso, e que nos atraímos, para espelhar as feridas emocionais mútuas e ajudarmo-nos mutuamente a superá-las - então aí podemos dizer que estamos a ser mestres ou professores uns dos outros, na medida em que percepcionamos o que a vida nos está a pedir em cada momento em termos de trabalho emocional.
Caso contrário, quando não percebemos a lógica da vida, a tendência da generalidade das pessoas é limitar-se a vitimizar-se, a ficar revoltada, ressentida com o outro, porque o outro é "injusto" e lhe fez "mal".
E neste caso, não se pode dizer que o outro está a ser mestre ou professor (mesmo que inconscientemente), apenas que estamos a desperdiçar oportunidades evolutivas e não estamos a saber interpretar os sinais e os desafios em termos evolutivos que a vida nos está a colocar a cada momento em termos relacionais e emocionais.

Por isso: Sim! Se você percepcionar as lições, a pessoa que o magoou , pode ser um mestre/professor para si, e vice-versa: e você acaba por ser um professor para ela, por exemplo: ao incentivá-la (mesmo que inconscientemente) a expressar as suas emoções e deixar de as reprimir tanto.
Nada é por acaso. Quando vocês combinaram reencontrar-se, sabiam quais os desafios emocionais de cada um para esta vida, e de que modo se poderiam ajudar mutuamente com o intuíto evolutivo.
E obviamente, que tocarmos nas feridas uns dos outros, não é uma experiência agradável, mas se percebermos a lógica da vida, cada vez que acontece (e é cíclico até percebermos) é mais uma oportunidade que a vida nos dá para superarmos mais uma insegurança, medo, trauma, etc...

KARMA - PERGUNTAS E RESPOSTAS

As minhas respostas às perguntas de Helena M. (uma leitora deste blog):

Pergunta:

Desculpe a invasão, mas estive a ler a sua descrição pessoal e verifiquei que gosta e se interessou por astrologia, eu também gosto e me fascina, mas nada sei.
Posso lhe deixar aqui uma pergunta? Só responda se quiser.

Acha que a astrologia na realidade nos diz algo sobre a nossa vida futura? Ou são simplesmente suposições?
Se através da carta astral se consegue prever algo de lógico?
um abraço obrigada

A minha resposta:
Olá Helena!

Não se trata de nenhuma invasão, mas apenas de uma partilha de conhecimentos.
O futuro é um campo aberto de probabilidades. O destino ao qual não podemos fugir não existe. Não somo autómatos, temos livre arbítrio.
A Astrologia Kármica, mais do que uma técnica de previsão, é uma excelente ferramenta de auto-conhecimento, ao dar-nos a conhecer os aspectos da nossa personalidade e das nossas emoções que vimos nesta vida aperfeiçoar, bem como as qualidades já desenvolvidas e todo o potencial a explorar na nossa vida, como nos vimos conhecer, o nosso caminho espiritual, etc.

A astrologia é uma linguagem simbólica. Ao olharmos para uma mapa, ao vermos os aspectos formados pelos trânsitos planetários relativamente à posição dos planetas no nosso mapa natal, podemos percepcionar quais os trânsitos mais fluidos e mais tensos, para a realização de determinado evento (ex: procura ou mudança de emprego), mas não podemos determinar qual o grau de consciência da pessoa, relativamente ao que a vida lhe está a propor, e logo, não podemos antecipar quais as decisões que ela efectivamente irá tomar, em função do seu livre arbítrio. Por ex: um trânsito planetário pode propor, uma mudança fluída de emprego com boas perspectivas, mas a pessoa em função do seu medo da mudança, pode não "aproveitar" o trânsito.

A função de um mapa natal é sobretudo, a de nos conhecermos melhor, quais os nossos potenciais e bloqueios e perceber quais os desafios que assumimos e escolhemos para esta encarnação.

Creio que respondi um pouco à sua questão.
Abraços de Luz e em Luz e tudo de bom para si!
Luís

Resposta de Helena M.:

Muito obrigada pela explicação.
Mas na realidade toda esta minha curiosidade pela astrologia me levou a enviar-lhe a mensagem, mas não é que queira investigar, era mais no sentido de saber que mal fiz eu noutra encarnação se é que estive em outra encarnação para tudo em correr mal na vida, e acho que talvez a astrologia me poderia dar algumas respostas ou esclarecer algumas duvidas.

Mas infelizmente desempregada há 2 anos não tenho muitas hipóteses de recorrer a nada, mas fico feliz por saber que efectivamente muita coisa se pode saber e prever.

Obrigada

A minha resposta:

Bom dia Helena!
O karma não é castigo, nem punição. Necessitamos de nos libertar da carga religiosa da culpa e do pecado. Karma são todas as emoções não processadas e que não demos entendimento no nosso passado.

Não se trata de saber que mal fez noutras vidas, uma vez que nós vimos todos à matéria passar por todas as experiências sem excepção ao longo do nosso processo evolutivo, para ampliar a nossa consciência, e um dia podermos sentir a vibração do amor incondicional.
A compaixão não nasce do nada. Nasce de sentirmos a dor do outro, porque já a sentimos em nós também, porque já passámos por algum modo por uma experiência similar.
O que importa é sabermos quais os desafios que assumimos para esta vida, e muitas vezes, o sentimento de frustração e as "paragens "na nossa vida são a única forma de nos virarmos para nós próprios e começarmos à procura de respostas para o nosso vazio interior, para o sentido da nossa existência, e para os desafios interiores que a vida está-nos a propor no momento.
Nós não somos vítimas de nada. Atraímos tudo de acordo com a nossa energia e com as lições que necessitamos de experienciar. Atraímos tudo, ou fruto de uma escolha anterior ou por perda.
Nós só perdemos aquilo que já não nos pertence.

Toda a perda (doença, emprego, etc.) é uma forma de nos travar no caminho, obrigar a abrandar e a sentir a tristeza, impotência e frustração, para nos tornarmos seres mais sensíveis, mais humildes e pacientes, aceitando o fluxo da vida, e compreendendo que a vida trará no momento certo aquilo que for mais adequado à nossa evolução, mesmo que não seja aquilo que o nosso ego deseja, ou aquilo que for politicamente mais correcto ou aceitável para os outros.

A resposta para as suas perguntas está em compreender o seu vazio interior, em aproveitar este momento para procurar as suas respostas e o sentido da sua vida.
Enquanto nós entendermos o nosso crescimento espiritual e o trabalho emocional como algo secundário, acessório que não é vital para nós, nunca o consideraremos como vital para a nossa evolução como seres , e para o nosso bem estar.
Se assim o sentir aprenda a entregar os seus problemas ao universo: comece a entregá-los para que eles se resolvam da forma como for mais adequada para si.
A nossa vida começa efectivamente a mudar, quando deixamos de carregar o fardo, sozinhos, e percebemos que não estamos sozinhos no universo. Partilhar os seus problemas com os seres de luz (mesmo que não saiba os seus nomes) é o começo da mudança.
Faça-lhes perguntas, e entregue-lhes a resolução dos seus problemas. O livre arbítrio é sagrado e eles só poderão interferir na sua vida se lhes pedir ajuda.

Depois...é tudo uma questão de tempo até começar a receber as respostas. Fique atenta às coincidências, às sincronicidades, à pessoa que encontra que lhe dá uma resposta sem que você lhe tenha verbalizado à pergunta que a intrigava, o rumo dos acontecimentos começa a mudar num sentido evolutivo, a fé começa a crescer, até um dia em você já nem precisa de sinais, embora eles vão sendo cada vez mais visíveis.

Muita Luz e tudo de bom para si!
Luís

Resposta de Helena M.:

Senhor Luís,

Após a leitura da sua mensagem, deparei-me com algumas situações que visto do lado positivo podem ser minimizadas, mas a teoria é uma coisa a prática é outra bem diferente.
se o karma não é um castigo nem uma punição e se temos que nos livrar de uma carga que nos pesa ao longo dos anos, como se explica que sendo eu uma pessoa compreensiva, sincera, transparente, lutadora, muito paciente e por vezes até me farto de engolir sapos para não ter que discutir, ou contradizer as pessoas.
Tenho um fardo bem pesado a carregar? Não me considero fraca, pelo contrário sou muito forte interiormente embora seja muito pessimista interiormente mas costumo mostrar optimismo exteriormente.
É certo que as perdas familiares os desgostos de família, deixam em nos marcas por longos anos e se reflictam no nosso dia a dia em pequenas coisas, como sou uma pessoa muito comovente sempre de lágrima no olho por qualquer coisa que vejo ou oiço.

De modo nenhum me posso congratular em saber que há milhões de pessoas com casos muito piores que o meu, mas existe revolta interior sabendo que tenho feito ao longo da vida tudo para me sentir feliz, e so me acontecem coisas mas, por isso digo que não me parece normal.
Mas entendo que todos nos temos uma cruz a carregar e a mim saiu-me uma pesada. Enfim temos que aceitar o que a vida nos da.
Mais uma vez muito obrigada


A minha resposta:

Boa tarde Helena!

Como calcula torna-se difícil transmitir-lhe uma nova perspectiva de ver a sua vida só através de este tipo de diálogo, mas vou tentar. Os problemas emocionais que tem para resolver, são seus, e não lhe retiram o mérito das suas qualidades.
Não é o facto de sermos generosos que faz com que tenhamos vidas mais ou menos fáceis. Nada disso!
A questão está nas causas: isto é, no móbil que nos leva a agir desta ou daquela maneira.
e todos nós em muitas situações da nossa vida fomos muito prestáveis e solícitos com outras pessoas, na ilusão de que se assim fossemos iríamos ser sempre aceites por elas e nunca iríamos ser rejeitados por elas, e de que quando fosse necessário, elas iriam fazer o mesmo por nós...
Em muitas situações isso revelou-se pura ilusão e pensamos que essas pessoas eram ingratas, mas inconscientemente elas acabam por ser nossas professoras.

Ou seja, a resposta para esta questão está na seguinte pergunta:
O que nos levou a agir assim? Fizemos o que fizemos por genuína vontade, ou apenas por medo de ser rejeitados, se não o fizéssemos (daí o engolir sapos para não entrar em confronto com os outros).
Se a resposta é a segunda, a desilusão com as pessoas serve apenas para ganharmos consciência das nossas feridas de rejeição e de culpa que nos levaram a agir dessa forma, para nos podermos libertar.

Esqueça a história da cruz, do martírio e do fardo, o que importa é ganhar consciência das emoções que traz para resolver nesta vida e dos desafios que assumiu para si própria superar.
Quando perceber que não somos vítimas de nada e que as situações difíceis da nossa vida têm apenas por função quebrar resistência para nos tornarmos seres mais emotivos e nos conectarmos com a nossa alma e com o nosso caminho de luz, irá dar consciência e compreender o porquê de todas as situações que pensa serem injustas.

Desejo-lhe tudo de bom e aconselho-a vivamente a começar a procurar respostas para a sua insatisfação e incompreensão dos acontecimentos da sua vida, pois foram precisamente essas questões que me levaram em busca de me conhecer a mim próprio e de mudar a minha vida.

Muita Luz e tudo de bom para si!
Luís

Resposta de Helena M.

Qual será a resposta para uma vida já de 48 anos, cheia de garra, determinação, de luta, de perseverança, e de tanta tristeza, infelicidade?


A minha resposta:

Bom dia Helena!

Como calcula,não serei eu que lhe irei dar essa resposta, do mesmo modo que não foram outros que deram resposta para as minhas dúvidas.
Apenas me ajudaram no percurso e ajudaram-me a encontrar as minhas próprias respostas.
Terá de ser a Helena se assim o entender a procurar, intuir e sentir as suas próprias respostas.
Apenas lhe posso dizer que fomos precisamente educados no sentido inverso. A nossa educação desde cedo estimula o nosso espírito competitivo e não a cooperação.
Desde cedo somos educados a lutar por aquilo "que queremos".

O problema é que aquilo que queremos e desejamos, frequentemente não é o melhor para nós, nem para o nosso percurso evolutivo, enquanto seres espirituais que somos. Daí atrairmos frequentemente situações de frustração, com o intuito de diminuir o nosso desejo, ambição e expectativas elevadas quase sempre focadas no exterior, nos outros e em objectivos materiais.
Desde cedo, de miúdos, somos obrigados a ter de saber aquilo que queremos ser.
Como não sabemos o que somos, como não nos conhecemos, acreditamos que se eu fizer algo (ex: ser advogado) que é aceite socialmente, vou me encontrar e gostar de mim.
E não funciona...Primeiro deveríamos sentir profundamente aquilo que somos, e aí sim, procurar agir em conformidade com o que somos.

Não é a nossa função profissional, o desempenho de um papel que determina o que somos.
O problema é que o ser humano é tão resistente, e tem tanta ferida de rejeição, que grande parte das vezes age apenas para ser aceite pelos outros, na ilusão de que se for aceite e reconhecido pelos outros, irá finalmente gostar de si e amar-se. Daí ser tão valorizada socialmente a garra e determinação.
E por sermos tão resistentes, acabamos por atrair (como foi o meu caso) situações limites, para finalmente nos virarmos para dentro (para nós) e para cima, e nos começarmos a questionar sobre o sentido da nossa vida.
Se nos deixarmos de vitimizar e quisermos realmente compreender o que andamos cá a fazer e as escolhas que fizemos para esta vida, para vivenciar e aprender, esse pode ser o verdadeiro momento de viragem nas nossas vidas!

Ou seja, Helena, não entenda nenhuma das minhas palavras como críticas (porque na nossa vida, todos passamos por situações de crise e dúvidas), mas como mensagens de incentivo e de estímulo para ir em busca da resposta para as suas dúvidas.
Na resposta anterior já lhe dei algumas sugestões, não irei repeti-las, porque não o devemos fazer, nem pressionar ninguém.
A questão que deverá colocar a si própria é a seguinte: A garra, determinação, luta e perseverança que emanou para o exterior foram em que sentido?
Foram no sentido do reconhecimento social do seu valor, da sua aceitação por parte dos outros?
Ou foram um reflexo de quem realmente é, da sua essência e da sua alma, de toda a sua sensibilidade.
Repare: garra, determinação, luta são palavras egóicas que transportam uma forte carga de resistência.

Não é suposto lutarmos por nada. Tudo aquilo que é para nós é fluído.
Ex: aquela pessoa que nos aparece e nos propõe um emprego, a solução para um problema que aparece de repente. Tudo aquilo que exige muita luta para se alcançar, exige, pura e simplesmente porque energeticamente não era para nós, não era para acontecer.
E depois acabamos por nos aperceber, que não compensou e que só nos trouxe problemas e dissabores.
Mas infelizmente, a nossa educação ainda nos estimula a lutar e a competir, para provarmos aos outros que somos lutadores e vencedores. E aí está o equívoco, não temos de provar nada aos outros, mas apenas sermos fiéis a nós próprios e à nossa essência.
Ou seja, quanto maiores as expectativas que depositarmos em algo exterior a nós (pessoas ou objectivos materiais), maiores as desilusões.
e isso é o melhor para nós, porque o nosso ego e o nosso desejo auto-alimenta-se. Isto é: nunca está satisfeito.

Após alcançar um objectivo, estabelece logo outro (pura e simplesmente porque o vazio que se está a tentar preencher com esse objectivo exterior, é um vazio emocional que é interno: ex: a nossa ferida de rejeição, e essa só poderá ser preenchida por nós, e nunca por outras pessoas ou objectivos materiais).
Logo, essa desilusão é o melhor que nos pode acontecer, para diminuir as nossas ambições, idealizações, as nossas ilusões e expectativas em relação aos outros e objectivos materiais, e para que nos tornemos seres mais pacientes, mais sensíveis, e para que aprendemos a aceitar o fluxo da vida, compreendendo que a vida sempre nos trará aquilo que for melhor para a nossa evolução (o que geralmente não é aquilo que queremos, desejamos e ambicionamos).

Espero sinceramente que comece a dar passos construtivos em busca das suas próprias respostas para que compreenda que nada acontece por acaso e que não somos vítimas de absolutamente nada e que tudo aquilo que viemos vivenciar é fruto de uma escolha pessoal para despertarmos para a nossa verdadeira realidade como seres espirituais numa experiência humana, em que o nosso principal compromisso nesta e nas outras existências é com a nossa evolução emocional e espiritual.

Desejo-lhe sinceramente Muita Luz, e que a Consciência Divina a guie e ilumine em todos os momentos da sua vida!
Luís